Noutes só em que o sabio acha prazeres,
—Tão ignorados dos crueis profanos!—
E em que as nervosas, mysticas mulheres,
Desfallecem chorando nos pianos.

N'essas noutes, meu bem! é que os poetas
Tem ás vezes seus sonhos mais brilhantes,
Folheam suas obras predilectas…
—E evocam rostos… e visões distantes!

*IDYLIO MERIDIONAL*

Sem ti, vejo o meu futuro
Um horto cheio d'abrolhos!—
Ah não me deixem teus olhos
Por este caminho escuro!

No inverno, as candidas aves
Abandonam os pombaes,
Meu bem, teus olhos suaves
Não me desterrem jámais!

Quando á tarde o ceu flameja,
Junto de ti encostado,
Que vezes, não tenho inveja
Da agulha do teu bordado!

Eu quizera a toda a hora
Cantar-te, ó sol os meus dias!
Como os sonetos que á Aurora
Enviam as cotovias.

Ó labios que pedem beijos!
Ó brancas mãos delicadas!
Voam a vós meus desejos
Quaes pombas ensanguentadas!..

Ó rival das açucenas!
Nenhum punhal faz no peito
As chagas que me tem feito
Essas tuas mãos pequenas!

E, comtudo o amor só dura
Entre as lagrimas da magoa,
—Como uma violeta escura
Que se morre á mingoa de agoa!