E andámos a gemer a nossa dôr intensa,
E abrindo os corações, os langidos segredos,
Aos ais soltos no ar dos grandes arvoredos,
E ás vastas afflições da natureza immensa!
Que dôr assim será?—Que dôr será egual!
Á quella immensa dôr? ó pallida vencida!
N'aquella natureza augusta e condoida,
E áquella branca luz, mais fria que um punhal!…
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Ah! nunca mais virá, ó branca desgostosa!
Aquella vez que nós andámos divagando,
Entre as folhas e o vento, o vento leve e brando.
Aos lividos clarões da lua silenciosa!…
*CONFISSÃO A UMA VIOLETA*
Eu confesso-me a ti, doce flor delicada!
Recolhida, modesta, e sol da singeleza,
Das vezes que atravez da verde natureza
Fiz soar com orgulho a bulha do meu nada!
Em vez de amar a vida humilde, chã, callada,
Do sabio estoico e são, exemplo d'inteireza,
Quantas vezes cuspi no Justo e na Belleza;
E cri-me o Fogo e a Luz da géração creada!
Orgulho! orgulho vão! Vaidade e mais vaidade!
Como disse o rei sabio e justo á claridade
Dos astros da Judea e ao gyro dos planetas!…
Feliz de quem como eu ri das Academias!
E estuda as novas leis e as grandes Theorias
Nas folhas femenis e meigas das violetas!