Quanto a nós individualmente, assás havemos já provado n’estes artigos, cujo fio vamos seguindo, quanto, apesar de conhecermos melhor que ninguem a nossa incompetencia, e a confessarmos a cada hora, propomos com lisura e franqueza, o que julgamos poder salvar a nossa moribunda.
Nem a lisonja, nem contemplações pusillanimes, nem medo a ruins interpretações, nem a indifferença d’aquelles mesmos por quem fazemos votos, nos demoveram ainda do nosso proposito, atrevido talvez, mas honrado de certo.
Com egual abnegação, com egual soltura, com ainda maior convicção, pois nos cresce de mez para mez, continuaremos a lavrar o nosso testamento de Portuguez, estas desenfeitadas linhas, mas para nós mais amadas, que toda quanta poesia nos florejou a mocidade.
Para dois pontos convocamos agora a attenção sizuda das nossas futuras Sociedades promotoras da Agricultura, do Parlamento de lavradores, que os seus esforços nos hão-de produzir, do Ministerio da Agricultura, que esses legisladores hão-de fundar, e finalmente do proprio Throno; para o que, novamente rogamos a todos os nobres missionarios da Imprensa levem os nossos alvitres, corroborados com o seu saber, e ungidos com a sua eloquencia, até onde o humilde e longinquo da nossa voz os não deixaria penetrar.
Estes dois assumptos, ambos grandes e ambos esquecidos, ambos de summa importancia, assim para o mal como para o bem, e ambos injusta e cruelmente desprezados, são: o Sacerdocio, e as Mulheres.
É o Sacerdocio Catholico uma instituição eminentemente social, e cuja origem divina é, por isso mesmo, impossivel não reconhecer.
Não renovaremos n’este logar disputações intempestivas, e já exhaustas, sobre os beneficios e as calamidades, de que em tal ou tal paiz, em tal ou tal seculo, o Clero tem sido, voluntaria ou forçada, activa ou passivamente, causador. Esses argumentos de alguns factos (ou de muitos factos) contra theses universaes e duas vezes millannarias, não podem servir para mais, que para lhes realçar a evidencia.
Quanto mais os da escola fossil de Voltaire, quanto mais os anachronicos citadores do Citador, e os mui respeitaveis Compadres do Abbé Laurent, esperdiçarem o seu engenho para nos afeiarem em romances obscenos a vida licenciosa de um ou de outro, ou de muitos Sacerdotes; quanto mais nos affirmarem, sob sua palavra honrada, e á vista de umas estatisticas que só elles possuem, que o numero d’estes discolos é infinito; tanto mais, sem o sentirem, sem o quererem, engrandecem a força intrinzeca e divina de uma instituição, que, desde o tempo dos Apóstolos até nós, ainda não cessou de ser havida por mantenedora da arca-santa da Fé e dos costumes.