II
Segunda carta ao mesmo
Meu estimavel Amigo
Lisboa, 8 de Março de 1849
Fiel ao promettido, relatarei summariamente, por não consumir espaço largo em tão util folha, o que tenho feito e projectado relativo á Instrucção na nossa formosa Ilha de S. Miguel.
É aquelle, meu bom Amigo, um torrão bemdito quanto a fertilidade vegetativa, e não menos pelo que respeita a bons engenhos e mãos industriosas; mas de tão ruim estrella, e tão desamparado da ventura, que, podendo ter de tudo copiosamente, de quasi tudo carece ainda.
Attribuem muitos este desconcerto ao clima, que dizem entibiar, por sua molleza, a energia do querer; outros, ao modo como a propriedade lá se acha repartida; outros teem para si que injustiça, desfavor e esquecimento da Mãe Patria é que produziram, e teem conservado, aquelle atrazo. Eu por mim não rejeito explicação alguma d’estas, e deploro que, logo sobre uma das mais ricas joias da Corôa portugueza, assim houvessem de cahir, para a marear, tres influxos tão maleficos.
Quanto ao clima, que, por quente e humido, quebranta as vontades, ao mesmo passo que pucha e encorpa todo o genero de plantas, é mal que não tem remedio.
A divisão da terra, e a organisação da propriedade, não nos pertence a nós reformal-as.