—«Mas a morte perpetrou-se.»
—Sim.
—«Perpetrou-a ella.»
—Sim, sim, mas sem o querer, sem o pressentir, sem entender ainda agora o como.
No delirio do seu fanatismo, julgava-se a braços, não já com uma mulher, senão com o rei dos malfeitores de além-mundo. ¿Que muito que o terror lhe centuplicasse as forças? ¿que as empregasse ás cegas? ¿que destruisse uma vida fragil e atenuada, sem saber? Logo que descobriu debaixo de si um cadaver ¿não cahiu ella quasi cadaver? ¿não lhe fugiu espavorida a razão? ¿não permaneceu por muito tempo n’esse estado entre vida e morte, de que ainda inteiramente não sahiu?
Meus amigos, ¿onde está o crime?
Uma desgraça, e muito grande desgraça, essa existiu sem duvida. Mas n’aquillo em que se não dá crime, ¿a intenção malfaseja quem a provou? ¿quem a allegou? ¿quem a demonstrará verosimil? ¿quem ao menos possivel?
Mas, deixando a justiça á Justiça, falemos de coisa quanto a mim mais util, mais fecunda, e mais pratica para entre nós.
Os processos são meras formas, sujeitas a opiniões e erros. O que tem importancia real são os factos sobre que elles versam; e mais real importancia ainda as ideias, de que esses factos se derivam necessaria e fatalmente, como a planta da semente, e o animal do ovo.