Meus amigos: se, como já vos ponderei, é crime contra a Natureza e contra a Sociedade deixar devoluto a terra da Patria, de que o acaso nos fez donos ¡quanto mais apertada nos não correrá ainda a obrigação de lhe não deixarmos improductiva a nossa rasão, fundo muito mais creador e social, mina de muito mais incalculavel opulencia, morgado de instituição divina, superior em nobreza a todos os morgados!
Caberia pois ao Parlamento, chão, sizudo, e nacional, que vós algum dia (em Deus o espero firmemente) nos haveis de dar, caber-lhe-hia proporcionar a todos os cidadãos meios faceis de se instruirem, e, proporcionando-lh’os, constrangel-os, sob as mais severas penas, a aproveital-os.
Desde então haverá cessado, para sempre, a possibilidade de processos, e desgraças, como estas que hoje vos relatei, opprobrio do seculo, e escandalo da civilisação.
Mas não só isso: quando todos formos, mais ou menos, instruidos, cada um segundo as suas faculdades, o seu estado, a sua edade e a sua profissão, a lista dos crimes de toda a especie haverá diminuido. O que em escolas e livros se houver gasto, poder-se-ha forrar em prisões e agentes de Justiça.
Não é tudo: ¡Com estes bens negativos, da maior importancia, que de bens positivos e palpaveis se não verão affluir! Os deveres domesticos e civicos, mais bem conhecidos, serão menos incompletamente desempenhados. Os laços da sociabilidade se apertarão e doirarão. Tornar-se-ha a convivencia mais frequente e mais amena. Medrando o numero dos leitores o dos bons escritores crescerá na devida proporção; ir-se-hão opulentando as sciencias, as artes uteis e fabris desenvolvendo-se; a Agricultura allumiando-se e florindo; as Artes chamadas bellas por excellencia acharão o que hoje lhes falta: alumnos, cultores, consumo. Os seis dias da semana deixarão em cada casa dobrados haveres, e um domingo muito mais desejado, e muito mais desejavel.
¿Serão isto ainda utopias, como os nescios chamam a tudo quanto nasce da alma e vôa por cima do lodaçal em que se elles afogam? Não são, meus bons camponezes, não são.
Vêl-o-hieis já hoje, se as horas nos não appertassem; mas vel-o-heis para a minha proxima visita. Havemos de conversar muito assentadamente sobre isto; porque emfim, ninguem me tira da cabeça, que, pése a quem pesar, ainda algum dia vos hei-de ver legisladores.
¡Oh! quando isso fôr... então é que é pôr luminarias de nove dias, nos campanarios, nas casas das Camaras, nas granjas, nas officinas, nas estradas e nos rios, e nas escolas ¡sobretudo nas escolas!