Julho de 1849.
XIII
Setimo serão do casal
Instrucção primaria
SUMMARIO
Males provenientes da ignorancia.—Panegyrico da Sciencia.—Resumo historico do progresso intellectual.—Seu estado ao presente.—Para todos ha tarefa na obra da illustração.—O Povo concorrerá para ella, elegendo verdadeiros representantes—Retrato d’elles.—Serão autores tambem de um Ministerio especial de Instrucção publica.—Propõem-se algumas Leis ácerca do ensino.—Como se proporcionarão meios para todos se poderem instruir.—I. Novos methodos.—II. Escolas normaes.—III. Escolas primarias fixas.—IV. Bons ordenados aos seus professores.—V. Centro director, e commissarios volantes.—VI. Escolas primarias ambulantes.—VII. Escolas para adultos nos serões e dias santos.—VIII. Cursos especiaes de conhecimentos mais altos.—IX. Escolas primarias para meninas e mulheres.—X. Item para as cadeias.—XI. Escolas espontaneas e gratuitas.—Dados estes meios, como se compellirá o Povo a se aproveitar da Instrucção.—XII. Exhortações.—XIII. Premios.—XIV. Castigos.—Relancear de olhos sobre os futuros da Nação assim illustrada.
Assentámos, amigos, em que a ignorancia era a mãe, a avó, e a ama de muitos males, e de quasi todos.
O que são para a saude os paúes perguiçosos e pestilenciaes, é-o a ignorancia para a virtude, para a fortuna, para o crédito, para a boa harmonia, para o folgar, para as forças, para a dextreza, para a pericia, para a elegancia, para a formosura, e para a saude mesma; para a do animo, para a do corpo, para a da casa, para a da cidade, para a do presente, para a do porvir.
Cuidar que um Povo se poderá bemaventurar sem sciencia, e muita sciencia, é já uma prova palpavel do como a ignorancia nos induz em funestos erros; pois é presumir que sem luz de sol podia ser a terra creadora; quando, só por isso que lhes fallece claridade e calor, é que as regiões dos polos são tenebrosos e gelados desertos, terras ou neves onde nada pensa, nada canta, nada ama, nada vive, nada vegeta, nada produz, nada espera, nada se lembra, e nada abençôa, nem em segredo, o Mysterioso Eterno, que tudo lhes negou com recusar-lhes sol.
Já houve ruins engenhos, ainda que subtís, que profanaram a penna escrevendo contra a Sciencia, e levantando até ás nuvens o viver silvestre. Mas ¿que se segue d’ahi? Tambem já alguns espiritos destillaram, ao fogo de suas paixões, paginas e paginas a desmentirem a existencia do Espirito; e, bebendo no ar de Deus o seu amor, soltaram do peito esse mesmo ar, convertido em palavras que o negavam.