Uma escola em cada uma das cadeias fôra resumo de muitas Obras de Misericordia, não só para aquelles malfadados, se não para todo o corpo social; fôra applicar o sal, para tolher os progressos da corrupção.
Quando os prezos aprendessem a ler, e lessem em livros muito de industria feitos para os allumiar, para lhes ungir e fomentar o coração, ¿não chegariam pouco a pouco a ressuscitar, reconciliados com a Providencia, com os homens, e comsigo, e talvez melhores e mais nobres que antes da queda?
XI. Além das escolas pagas, que o Estado deve multiplicar e distribuir por todas as partes onde vir ignorancia, vicios, e crimes, deverá promover, por meio de estimulos honorificos, o apparecimento de novos focos de doutrina, espontaneos e gratuitos.
¿E quem duvida de que ha ainda ahi almas generosas, homens-humanos, e christãos não renegados, que, uma vez levantadas essas nobres competencias de bem fazer, acudirão a abrir suas salas aos pobres ignorantes, a assental-os em suas cadeiras em de redor do seu candieiro, do seu livro, e do seu affecto?
Não somos nós dos partidarios da liberdade do ensino, como o não seriamos da liberdade de vender generos avariados, ou venenos;[2] mas se os traficantes e especuladores charlatães de instrucção, que a não possuem, devem ser inexoravelmente prohibidos, nenhuma das rasões que militam contra elles se podem racionalmente applicar aos que offerecem, de graça, as suas horas a instruir o proximo. Os Commissarios volantes, porém, até mesmo essas privadas fontes deveriam visitar, se esses bons professores o consentissem, como de certo consentiriam.
[2] Pode-se ver o que sobre isto dissertavamos no Tomo II da Revista Universal Lisbonense, pag. 177.
Temos, graças a estas leis novas, resolvido em cheio o problema de pôr a instrucção ao alcance de todos. Vejâmos se se resolverá o outro, de fazer com que todos a aproveitem.
Este me parece ainda mais facil.