Oh santa perseguida Liberdade,
¡onde te achei!.... Onde não vivem homens;
n'um torrão bravo que não chama invejas.

*

Em quanto, ora que a noite o ceo regela
humida e turva, tantos ricos enchem
de bocejante enôjo as assemblêas,
e tantos, tantos miseros, sem lares,
sem consôlo, sem pão, sem voz de amigo,
só reos de patrio amor, dormem nas furnas,
pelas praias do Oceano, e pelas rochas
(sublimes troncos pelo pé cortados)...

tua clara fogueira nos aquece;
¡graças, graças a um Deus!

Assim vagava

sobre o universo undoso a arca do justo.

*

Nós, depois de annos tres, inda esperâmos.
Ainda do trovão eccos retumbam.
Ainda os escarceos assoladores
remugem lá por fóra. Ainda a pomba
co'o ramo de oliveira inda não volve.

*

¡Oh santa perseguida Liberdade!
¡Oh! ¡Se eu podesse, a trôco dos meus dias,
restituir-te á minha Patria!....