¡Mas quanto é mais tocante o que se eleva
nas faldas solitarias da montanha!
Ali Débora jaz; ali Rebecca
chora na morte a que a nutriu na infancia,
ama no coração, mãe nos extremos,
de seus primeiros e ultimos segredos
confidente fiel no lar paterno,
querida socia na feliz viagem,
e no lar conjugal seu doce allivio.
¿Arvore a tanto affecto consagrada
na affectuosa Biblia irá sem nome?
o carvalho das lagrimas lhe chamam.
VI
¡Que uso tão doce aos corações piedosos!
Reverdecei, costumes do bom tempo,
quando o Rei, o pastor, o chefe, a virgem,
tinham sob um ceo livre a sepultura.
A Morte, menos barbara do que hoje,
com avarenta mão não ferrolhava
sob um tecto pezado, entre altos muros,
as prezas, cá de fóra em vão pedidas.
Não era um templo um cárcere de mortos.
Dormiam mollemente em terra franca,
em jardins frescos, em copadas selvas.
Esta esp'rança adoçava um pouco o amargo
do ultimo trago aos labios moribundos.
Este bem, tão pequeno em mal tão grande,
¡quanto valor não tinha aos que ficavam!
O irmão, o pae, o filho, o amigo, o esposo,
podiam livremente, a toda a hora,
ir regar de seu pranto amadas cinzas,
fartar saudades, inflammar lembranças,
delirar doce a noite, e o dia inteiro,
e de praser a um peito onde palpitam
superstições de amor ou de amisade,
dizer:
«Este tapiz relvoso o cobre;
esta ave lhe gorgeia; esta aura sôlta
o refresca; esta lua apraz-lhe aos manes;
a primavera m'o visita, e espalha
tambem por cima d'elle o seu regaço;
esta violeta é sua, hei-de colhel-a;
d'est'arvore a raiz sente-lhe a fronte,
nutre-se do seu pó, vive por elle,
é elle mesmo em parte; arvore amiga,
recebe o nome caro, hoje sem dono,
toma os abraços que não posso dar-lhe.»
*
Sim, sim, convém um bosque ás sepulturas.
A arvore, Deus a fez como passagem
do mundo que respira ao mundo inerte;
commum co'os animaes, commum co'a terra,
vive e não sente; habita e ignora o mundo,
sympathisa co'a morte e co'a existencia,
é grata ás cinzas, á saude é grata.
*