GALATÉA.

Tu destróes em parte o meu desgosto; Mas não consegues ver-me enchuto o rosto: Não: fazer que esta setta não me fira, Só póde o meu Pastor. Ah! Quem o víra! Só pódem os seus olhos engraçados Dar vista aos meus já cégos, e cançados. Mas temendo o rancor de Polyfemo, As proprias sombras dessas plantas temo.

LAURINDO.

Do triste Polyfemo o rancor deixa: Tu foste a causa, e só de ti te queixa.

GALATÉA.

A causa fui! Eu sou féra impestada, Que fizesse aquella alma invenenada?

LAURINDO.

A causa foste, sim, porque o amaste, E por Ácis, sem culpa, o desprezaste.

GALATÉA.

Pelos Deoses do Olympo Soberano Juro que nunca amei tal monstro insano.