[Figura: D. Mercedes de Castro Feijó]

A MINHA MULHER

Romam tu mihi sola facis.

MART. LIV. XII. EPIGR. XIX.

Folhas mortas d'outono ou d'inverno precoce,
No teu regaço amigo, estes versos deponho,
Para que o teu amor lhes dê vida e remoce,
Porque a Arte começa e acaba num sonho…
É pouco; mas eu torno a homenagem mais bella,
Pondo, como uma flor, nas folhas sem aroma,
O verso em que Martial diz á Esposa Marcella:
Tu, tu só, para mim, vales mais do que Roma
!

ELEGIA DE ABERTURA

Elegia d'abertura

_A minha Lyra tinha uma corda: Emquanto môço tanto cantei, Que a pobre corda despedacei.

Agora, ás vezes, se a Musa accorda,
E quer de novo pôr-se a cantar,
Ninguem a corda pode emendar.

Era uma corda que só vibrava
Quando a minh'alma toda chorava,
E tantas mágoas, tantas, cantei,
Que a pobre corda despedacei.