A VENTURA
A Ventura, de vãos e ephemeros sorrisos,
Nunca, em alto lavor,
Nos meus versos deixou cariatides ou frisos
De que ella fôsse o alacre e luzido esculptor.
Trouxe-a um dia, illudida, a minha Noiva, quando
No meu lar se installou;
A Musa, deslumbrada, emmudeceu, sonhando,
E d'amor nunca mais um só verso rimou.
Mas d'essa adoração em que vivia absorta,
Um dia, ao despertar,
Viu que tinham levado a minha Noiva morta,
E d'angustia chorou, na angustia do meu lar.
Chorou… Sempre que a dor nos empolga e sacode
Como um arbusto ao vento,
Nenhuma forma d'arte em eloquencia pode
Egualar a expressão d'um grito ou d'um lamento.
Chorou… E desde então, a Musa dolorida
Vive numa anciedade
A ouvir a minha dor no seu canto escondida,
Mansamente, a chorar, como chora a saudade…
ENTRE PINHEIROS E CYPRESTES
A meus sobrinhos, Salvato e Ruy
ENTRE PINHEIROS E CYPRESTES
Entre pinheiros e cyprestes
Fundi em lagrimas os olhos…
Onde estaes vós, almas celestes,
Que entre pinheiros e cyprestes
Em vão procuram os meus olhos?