Na terra fria aqui descansam
Os corações que tanto amei…
Mas os meus braços não alcançam
Na terra fria em que descansam
Os corações que tanto amei.

As vezes ponho o ouvido attento
A ver se os ouço ainda bater…
Mas só me fala a voz do vento,
Sempre que ponho o ouvido attento
A ver se os ouço ainda bater…

Elles que sempre e a toda a hora
Tão nobremente palpitaram…
E já nem sombra resta agora
D'elles que sempre e a toda a hora
Tão nobremente palpitaram!

Mas todo o amor, toda a bondade,
Que em vida as almas enobrece,
Torna a ser luz na immensidade,
Irradiação d'amor, bondade,
Que em vida as almas enobrece…

E nessa luz, a alma que chora
D'um brilho augusto se illumina,
Como uma esprança ou uma aurora,
Em cuja luz, a alma que chora
D'um brilho augusto se illumina…

E ao nosso olhar, d'entre cyprestes,
Estrellas novas apparecem…
Sois vós talvez, almas celestes,
D'entre pinheiros e cyprestes,
Essas estrellas que apparecem…

RIO AMARGO

A meu irmão, Julio de Castro Feijó

RIO AMARGO

A pouco e pouco a Dor, no coração do Homem,
Vae como um rio amargo escavando o seu leito,
E dia a dia, o sulco em que as mágoas se somem
Mais profundo se faz, mais escarpado e estreito.