E os anjos, descendo do ceu a voar,
Á forca viriam minh'alma buscar!»
E a linda Pastora, que a ser ultrajada
A morte prefere,—vae ser enforcada!
Levaram-na, á força, das suas ovelhas,
Pendendo-lhe ás tranças papoilas vermelhas,
Com gritos de escarneo, no meio da turba…
Mas nada os seus olhos serenos perturba.
E toda inundada na luz que irradia,
Sorrindo, os estrados da forca subia…
Então, n'um relance, do azul transparente,
Surgindo mais alvas que a lua nascente,
Duas pombas que descem e voam a par,
Nos braços da forca vieram poisar…
E a linda Pastora dos olhos castanhos,
Tão longe da serra, cercada de estranhos,
Sem ter um gemido, sem ter um lamento,
Expira na forca… Mas n'esse momento,
No grande silencio que a morte causara,
Aos olhos de todos que attonitos viram
Tão grande prodigio, coragem tão rara,
Dos braços da forca—três pombas partiram!