Se a Aurora se lança do cume dos montes,
Até d'alegria murmuram as fontes;

Só eu, passeando o meu tedio supremo,
Nem rio, nem choro, nem canto, nem gemo.

Oh Sol, que já vejo surgindo do Mar,
Tem dó de quem, mudo, não pode cantar!»—

E o Cysne, em silencio, chorava, escutando
A orchestra das aves que passam em bando.

Das aguas rompia a quadriga d'Apollo,
E o pobre a cabeça escondia no collo…

Mas Phebo detem-se nas nuvens ao vê-lo,
Com feixes de raios no fulvo cabello,

E diz-lhe, sorrindo, n'um halo de fogo:
—«No Olympo sagrado ouviu-se o teu rogo…»—

E nesse momento a Lyra Sem Par,
Da mão luminosa deixou resvalar…

O Cysne, orgulhoso da graça divina,
Da Lyra d'Apollo as cordas afina,

E rompe cantando… Calaram-se as fontes,
Calaram-se as aves… As urzes dos montes