Tremiam de goso a ouvi-lo cantar…
E o vento sonhava na espuma do Mar.

O Cysne cantava, tirando da Lyra
Um hymno que nunca na terra se ouvira;

Não pára, nem sente, na sua emoção,
Que a vida lhe foge naquella canção.

Mas quando, entre nuvens, a tarde cahia
No enlevo do canto que a essa hora gemia,

E Apollo no seio de Thetis desceu,
O pobre do Cysne, cantando, morreu…

Gemeram as aves; choraram as fontes;
Torceu-se nas hastes a giesta dos montes,

E o mar soluçava na tarde sombria,
Que o manto de luto com astros tecia.

Sollicita espera-o, das aguas á beira,
Do Cysne, já morto, fiel companheira;

Espera que o Esposo de prompto regresse,
Mas treme e suspira, que a Noite já desce…

As aguas luzentes parecem-lhe, ao vê-las,
Um panno d'enterro picado d'estrellas.