Então, no seu luto, sentindo que morre,
Oceanos e praias distantes percorre;

Mergulha nas aguas, colleia nas ondas,
Espreita as galeras de velas redondas,

Que ao longe parece que vão a voar…
E o Cysne não volta, não pode voltar!

Chorosa viuva, nas aguas deslisa,
Levada na fresca salsugem da brisa…

No seu abondono nem sente canseira;
Caminha, caminha, fiel companheira,

Chorando o perdido, desfeito casal…
Tão funda era a mágoa, tão grande o seu mal,

Que o peito sentindo de dor estalar,
—De dor e d'angustia começa a cantar!

E canta com tanta ternura e paixão,
Que a Vida lhe foge naquella canção.

As aves despertam; calaram-se as fontes;
Nas hastes tremiam as urzes dos montes;

A Lua escutava; detinha-se a Aurora,
E as vagas gemiam no vento que chora…