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Ilha dos amores, por Antonio Feijó. Um vol. 114 pag. in 8^o, Lisbôa,
Editor M. Gomes 1897.
Produz-se, ao lermos os versos d'este poeta, o desejo de simplesmente os irmos transcrevendo todos; e nessas condições limitarmos a apreciação a simples interjecções. Ninguem hoje, em Portugal, cinzela assim tão primorosamente a lingua portugueza em metro e rima, e a obra litteraria sae nitida, brilhante, completa,—sem que alguem note a fadiga do obreiro, ou adivinhe os processos de factura. O artista confunde-se com o dilettante, e é inconfundivel a linha de cada um d'elles.
Reproduzo esses dezesseis versos,—e ponho ponto na prosa:
Oh Musa Antiga, d'olhos placidos, rasgados etc.
Noites de Vigilia. N.^o 16.
Silva Pinto.
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«CANCIONEIRO CHINEZ» por ANTONIO FEIJO
Dizia Oliveira Martins que o condão das bellas obras era relerem-se indefinidamente. Ha treze annos que se publicou a primeira edição do Cancioneiro Chinez. Desde então a poesia, sobretudo no mundo latino, passou pela mais vertiginosa e estranha evolução, resvalando da noble ordonnance parnasiana até a anarchia quasi chaotica do decadismo, do symbolismo, do instrumentismo, do amorphismo e d'outras phantasias prosodicas e metricas. E, todavia, a segunda edição d'esse livro, eminentemente artistico, nada mais faz do que renovar em quem o lê a sensação de graça lyrica, de finura conceptual, de impecavel belleza plastica, que fez o successo d'essa admiravel e feliz adaptação do lyrismo chinez á nossa lingua.