De súbito, ela viu-o demudar-se. Com{116} uma inflexão rouca, de bêbedo, tornou; «Está mau... está mau... Está um temporal desfeito. Como querias tu que eu me vestisse?» Ela sentiu terror e aproximou-se. «Ouves a chuva?» dizia êle. «Ouves a noite?... Ouves?... Ih! Ih! Que vento! Que maldito!...» Num lindo gesto meteu-se-lhe nos braços, colando-se contra ele, abandonando-se. O robe-de-chambre descaía-lhe nos ombros. «O pano incha, o pano incha... Ferrar pano! gritou com voz de comando: Ferrar pano!»—Tomou-lhe o corpo nos braços ennovelado. E Jenny, que ao ouvir-lhe a voz correra, ouviu ainda aterrada; «Não aguenta o pano! Cortar cabos!...» Tirou a faca de bordo da cintura, prendeu a bainha nos dentes p'rà arrancar, e cravou-lha no colo até à raiz. Era curva. Dir-se-ia que tinha a inflexão dos seios dela.
Harry contou-me ainda o processo, o julgamento, e como êle no tribunal acusou o Mar... A opinião dos médicos legistas, foi{117} que êle estava doido irresponsável. Apesar disso, porêm, foi enforcado. A opinião pública, os jornais, eram contra êle.
Harry estava lívido.
—Compreende agora porque odeio o mar.{118}
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[SUZE]
A PAULO OSÓRIO
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