—Devo-lhe muito, é muito nosso amigo. Que outro no seu lugar—tu bem o sabes—tinha-te posto fora do emprêgo. Mas êle não. Só quer que tu te emendes. Diz que te espera hoje sem falta, às dez em ponto. Verás, Manoel, tudo se arranja bem...

Êle olhava-a com os beiços a tremer:

—Estás contente com isto? An! Manoel?...

—Não, minha mãe, não volto ao tribunal. Não posso mais... não posso mais lá ir...

—Ora essa, meu filho, tu que dizes?!...

—Não, minha mãe, não posso mais lá ir...

Por mais que perguntasse, que insistisse, sempre a mesma resposta em voz sumida, como a última decisão de um agonisante:

—Não posso... não posso... É-me impossível

E de repente, chegando-se p'ra ela como{181} um petiz com terror, pôs-se a dizer baixinho:

—Quem sabe se não é uma cilada... O Sousa quere-me lá p'ra me prender... Sabe que sou um anarquista... quere vingar-se...