Intrigou-me ver o Veiga em pleno campo, saturando-se de outono e solidão. Que podia fazer ali aquele idiota?

Mas quando me aproximei e o vi de perto, espantou-me a mudança que fizera. Era outro: era um pedinte louco, de olhos meigos...

Parei a olhá-lo. Êle cumprimentou-me com maneiras untuosas de prelado... E ficou a sorrir, chapéu na mão, como à espera de que eu fôsse falar-lhe.

—Linda manhã, senhor Veiga, não é verdade?

—Diz Vossa Excelência muito bem... Está linda.

—Então mora por aqui—por Nevogilde?

—Não, senhor... Eu não tenho casa. Gosto disto... aqui. Ha campo e mar...

—Não tem casa!... Desculpe esta pergunta: e onde dorme o senhor?...{184}

Esteve um pedaço a fitar-me, olhos em olhos. Depois—em confidência misteriosa:

—A Vossa Excelência sempre o digo. Eu nunca durmo...