Ilha da Madeira. Quinta da Saude, 29-7-1898.

20

Emilias

(A UMA SENHORA QUE NÃO QUER SER EMILIA)

Emilia és, quer queiras, ou não queiras:
Que lindo nome o teu, soante de brizas!
É um nome de pastoras e moleiras,
Loira morgada do solar dos Nizas!
Muitas Emilias ha, entre ceifeiras,
Ha Emilias nos serões das descamizas...
Se tu, Senhor! dás nome ás Amendoeiras
Com o nome de Emilia é que as baptizas!
Que Santa Emilia te acompanhe, Rainha!
E com a tua Mãe seja madrinha,
Quando ella, um dia, te levar á Igreja!
E, ó pura Gloria, que em teus olhos brilha!
Dôces presagios meus, que a tua filha
Seja loira tambem e Emilia seja!

Ilha da Madeira, novembro, 20, 1898.

21

O coração dos homens com a idade,
A pouco e pouco, vae arrefecendo...
Quão diversos me vão apparecendo
Do que eram ao abrir da mocidade!
O sorrizo não tem já lealdade,
Lagrimas são difficeis... não as tendo.
Palavras não vos faltam, estou vendo
Mostrar o que sentis só por vaidade.
Já não me illude, a Gloria que sonhei.
Perdi a fé em tudo quanto amei.
Mas só agora, eu sei o que é viver!
Não fazes bem, assim, em rir de mim!
Tenho tido na vida horrores sem fim,
Mas só agora, eu sei o que é soffrer!

Ilha da Madeira, dezembro, 1898.

22