E o vento mia! e o vento mia!
Que irà no mar!

Erguei-vos, defuntas! da tumba que alveja
Qual Lua, a distancia!
Vizões enterradas no adro da Igreja,
Branquinha, da Infancia…

Que noite! ó minha Irmã Maria,
Accende um cyrio à Virgem Pia,
Pelos que andam no alto mar…

Lá vem a Carlota que embala uma aurora
Nos braços, e diz:
«Meu lindo menino, que Nossa Senhora
O faça feliz!»

Ao mundo vim, em terça-feira,
Um sino ouvia-se dobrar!

E Antonio crescendo, sãosinho e perfeito,
Feliz que vivia!
(E a Dor, que morava com elle no peito,
Com elle crescia…)

Vim a subir pela ladeira
E, n'uma certa terça-feira,
Estive jà p'ra me matar…

Mas foi a uma festa, vestido de anjinho,
Que fado cruel!
E a Antonio calhou-lhe levar, coitadinho!
A Esponja do Fel

Ides gelar, agoas dos montes!
Ides gelar!

A Tia Delphina, velhinha tão pura,
Dormia a meu lado
E sempre rezava por minha ventura…
E sou desgraçado!