Agoas do rio! agoas das fontes!
Cantigas d'agoa pelos monles,
Que sois como amas a cantar…
E eu ia ás novenas, em tardes de Maio,
Pedir ao Senhor:
E, ouvindo esses cantos, tremia em desmaio,
Mudava de cor!
Passam na rua os estudantes
A vadrulhar…
E a Mãe-Madrinha, do tempo da guerra
A mail-os francezes,
Quando ia ao confesso, á ermida da serra,
Levava-me, ás vezes.
Assim como elles era eu d'antes!
Meus camaradas! estudantes!
Deixae o Poeta trabalhar…
Santinho como ia, santinho voltava:
Peccados? Nem um!
E a instancias do padre dizia (e chorava):
«Não tenho nenhum…»
Ó Job, coberto de gangrenas,
Meu avatar!
As noites, rezava (e rezo ainda agora)
Ao pé da lareira.
(A chuva gemente caia lá fóra,
Fervia a chaleira…)
Conservo as mesmas tuas penas,
Mais tuas chagas e gangrenas,
Que não me farto de coçar!
—Que Deus se amercie das almas do Inferno!
—Amen! Oxalá…
E o moço rosnava, tranzido de inverno:
—Que bom lá está!