E a neve cae, como farinha,
Là d'esse moinho a moer, no Ar:
O sino da Igreja tocava, á tardinha:
Que tristes seus dobres!
Era a hora em que eu ia provar, á cozinha,
O caldo dos pobres…
Ó bom Moleiro, cautellinha!
Não desperdices a farinha
Que tanto custa a germinar…
Ó velhas criadas! na roca fiando,
Nos lentos serões…
Corujas piando, Farrusca ladrando
Com medo aos ladrões!
Andaes, à neve, sem sapatos,
Vos que nâo tendes que calçar!
O Zé do Telhado morara, alli perto:
A triste viuva
A nossa caza ia pedir, era certo,
Em noites de chuva…
Corpos au léu, vesti meus fatos!
Pés nus! levae esses sapatos…
Basta-me um par.
Ó feira das uvas! em tardes de calma…
(O tempo voou!)
Pediam-me os pobres «esmola pela alma
Que Deus lhe levou!»
Quando eu morrer, hirto da magoa.
Deitem-me ao mar!
E havias-os com gotta, e havia-os herpeticos,
Mostrando a gangrena!
E mais, e ceguinhos, mas era dos ethicos
Que eu tinha mais pena…