Irei indo de fragua, em fragua,
Até que, emfim, desfeito em agoa,
Hei-de fazer parte do mar!
Chegou uma carta tarjada: a estampilha
Bastou-me enxergar…
Coitados d'aquelles que perdem a filha,
Tão longe do lar!
No Panthéon, tragico, o sino
Dà meia-noite, devagar:
Ó tardes de outomno, com fontes carpindo
Entre herva sedenta…
Os cravos a abrirem, a lua aspergindo
Luar, agoa-benta…
É o Victor, outra vez menino,
A compor um alexandrino,
Pelos seus dedos a contar!
Ao dar meia-noite no cuco da sala,
Batiam: «Truz! truz!»
E o Avô que dormia, quietinho na valla,
Entrava, Jezus!
Que olhos tristes tem meu vizinho!
Ve-me comer e poe-se a ougar:
Nas sachas de Junho, ninguem se batia
Com nosso cazeiro:
Que espanto, pudéra! se da freguezia
Elle era o coveiro…
Sobe ao meu quarto, bom velhinho!
Que eu dou-te um copo d'este vinho
E metade do meu jantar.
Morria o mais velho dos nossos criados,
Que pena! que dó!
Pedi-lhe, tremendo, fizesse recados
Á alminha da Avó…