Bairro-Latino! dorme um pouco!
Faze, meu Deus, por socegar…

Ó banzas dos rios, gemendo descantes
E fados do mundo!
Ó agoas fallantes! ó rios andantes,
Com eiras no fundo!…

Calla-te, Georges! estàs jà rouco!
Deixa-me era paz! Calla-te, louco,
Ó boulevard!

Trepava ás figueiras cheiinhas de figos
Como astros no céu:
E em baixo, aparando-os, erguiam mendigos
O roto chapéu…

Boas almas, vinde ao meu seio!
Espiritos errantes no Ar!

Ó lua encantada no fundo do poço,
Moirinha da magoa!
O balde descia, chymeras de moço!
Trazia só agoa…

Sou médio: evoco-os, noite em meio,
Vos não acreditaes, eu sei-o…
Deixal-o não acreditar.

Meus versos primeiros estão no Adro, ainda,
Escriptos na cal:
Cantavam Aquella que é a roza mais linda
Que tem Portugal!

Se eu vos podesse dar a vista,
Ceguinhos que ides a tactear…

A lua é ceifeira que, ás noites, ensaia
Bailados na terra…
Luar é caleiro que, pallido, caia
Ermidas da serra…