Quanto essa sorte me contrista!
Mas ah! mais vale não ter vista,
Que um mundo d'estes ter d'olhar.
O conde de Furnas sabia o Horacio,
Tin-tin, por tin-tin!
E dava-me, á noite, passeiando em palacio,
Licção de latim.
A Morte, agora, é a minha ama…
Que bem que sabe acalentar!
E entrei para a escola, meu Deus! quem me dera
N'essa hora da vida!
Uzava uma bluza, que linda que era!
E trança comprida…
Á noite, quando estou na cama:
«Nana, nana! Que a tua ama
Vem jà, não tarda! foi cavar…»
Os outros rapazes furtavam os ninhos
Com ovos a abrir;
Mas eu mercava-lhes os bons passarinhos,
Deixava-os fugir…
Camões! ó lua do mar-bravo!
Vem-me ajudar…
Os prezos, ás grades da triste cadeia,
Olhavam-me em face!
E eu ia á pouzada do guarda da aldeia
Pedir que os soltasse…
Tenho o nome do teu escravo;
Em nome d'elle e do mar-bravo,
Vem-me ajudar!
E quando um malvado moia a chibata
Um filho, ou assim,
Corria a seus braços, gritando: «Não bata!
Bata antes em mim…»