E o vento geme! e o vento geme!
Que irà no mar!

E quando dobrava na terra algum sino
Por velho, ou donzella,
A meu Pae rogavam «deixasse o menino
Pegar a uma vela…»

Lobos d'agoa, que ides ao leme,
Tende cuidado! a lancha treme…
Orçar! orçar!

Enterros de anjinhos! Oh dores que trazem
Aos tristes cazaes!
Ha doces, ha vinho, senhores que fazem
Saudes aos paes…

Meu velho cão, meu grande amigo,
Porque me estàs assim a olhar?

A Prima doidinha por montes andava,
Á lua, em vigilia!
Olhae-me, doutores! ha doidos, ha lava,
Na minha Familia…

Quando ou choro, choras commigo
Meu velho cão! és meu amigo…
Tu nunca me has-de abandonar.

E os annos correram, e os annos cresceram,
Com elles cresci:
Os sonhos que tinha, meus sonhos… morreram,
Só eu não morri…

Frades do Monte de Crestello!
Abri-me as portas! quero entrar…

Fui vendo que as almas não eram no mundo
Singellas e francas:
A minha que o era ficou, n'um segundo,
Cheiinha de brancas!