Cortae-me as barbas e o cabello,
Vesti-me esse habito singello…
Deixae-me entrar!

Fiquei pobrezinho, fiquei sem chymeras,
Tal qual Pedro-Sem,
Que teve fragatas, que teve galeras,
Que teve e não tem…

Moço Luziada! criança!
Porque estàs trisle, a meditar?

Vieram as rugas, caiu-me o cabello
Qual musgo da rocha…
Fiquei para sempre sequinho, amarello,
Que nem uma tocha!

Ves teu paiz sem esperança,
Que todo allue, à semelhança
Dos castellos que ergueste no Ar?

E a velha Carlota, revendo-me agora
Tão pallido, diz:
«Meu pobre menino! que Nossa Senhora
Fez tão infeliz…»

Pariz, 1891.

*Menino e Moço*

Tombou da haste a flor da minha infancia alada,
Murchou na jarra de oiro o pudico jasmim:
Voou aos altos céus S.^{ta} Aguia, linda fada,
Que d'antes estendia as azas sobre mim.

Julguei que fosse eterna a luz d'essa alvorada,
E que era sempre dia, e nunca tinha fim
Essa vizão de luar que vivia encantada,
N'um castello de prata embutido a marfim!