Ó Boa Nova, ermida á beira-mar,
Unica flor, n'essa viv'alma de areaes!
Na cal, meu nome ainda lá deve estar,
Á chuva, ao vento, aos vagalhões, aos raios!
Ó altar da Senhora, coberto de luzes!
Ó poentes da Barra, que fazem desmaios…
Ó Sant'Anna, ao luar, cheia de cruzes!
Ó logar de Roldao! villa de Perafita!
Aldeia de Gonsalves! Mesticoza!
Engenheiros, medindo a estrada com a fita…
Agoa fresquinha d'Amoroza!
Rebolos pela areia! Ó praia da Memoria!
Onde o Sr. D. Pedro, Rei-soldado,
Atracou, diz a Historia,
No dia… não estou lembrado;

Ó capellinha do Senhor d'Areia,
Onde o Senhor appareceu a uma velhinha…
Algas! farrapos do vestido da sereia!
Lanchas da Povoa que ides á sardinha,
Poveiros, que ides para as vinte braças,
Sol-por, entre pinhaes…
Capellas onde o sol faz mortes, nas vidraças!

Onde estaes?

2

Georges! anda ver meu paiz de marinheiros,
Traze o teu livro, toma as tuas notas:

Oh as lanchas dos poveiros
A sairem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que extranho é!
Fincam o remo n'agoa, até que o remo torça,
Á espera da maré,
Que não tarda hi, avista-se lá fóra!
E quando a onda vem, fincando-o a toda a força,
Clamam todos á uma. «Agôra! agôra! agôra
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Ás vezes, sabe Deus, para não mais entrar…)
Que vista admiravel! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar,
Dá-lhes o vento e todas, á porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rozario de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

S^{nra} Nagonia!

Olha, acolá!
Que linda vae com seu erro de ortographia…
Quem me dera ir lá!

Senhora Da guarda!

(Ao leme vàe o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!