Outros, por esses cinco oceanos,
Por esse mundo erram, talvez…
Não me escreveis, ha tantos annos!
Que será feito de vocês?

Hoje, delicias do abandono!
Vivo na paz, vivo no limbo:
Os meus amigos são o Outomno,
O Mar e tu, ó meu Cachimbo!

Ah! quando for do meu enterro,
Quando eu partir gelado, emfim,
No meu caixão de mogno e ferro,
Quero que vás ao pé de mim.

Santa mulher que me tratares,
Quando em teus braços desfalleça,
Caso meus olhos não cerrares,
Embora! Que isto não te esqueça:

Colloca, sob a travesseira,
O meu cachimbo singular
E enche-o, sollicita enfermeira,
Com Gold-Fly, para eu fumar…

Como passar a noite, amigo!
No Hotel da Cova sem conforto?
Assim, levando-te commigo,
Esquecer-me-ei de que estou morto…

Coimbra, 1889.

*Ca (ro) Da (ta) Ver (mibus)*

Memoria
A J. d'Oliveira Macedo,
Eduardo Coimbra, Antonio Fogaça.

Ás horas do crepusculo, ao Bemdito,
Quando a formoza Lua, a leiteirinha,
Vae dar o leite ás cazas do Infinito…