Para ganhar o pão de cada dia
Cuidará da lavoira, mais das flores,
Lavrando as terras da Virgem Maria!
Longe dos vis, dos maus, dos peccadores,
N'uma herdade do céu, entre charruas,
A cavar entre simples lavradores,
Semeando estrellas e plantando luas…
E ainda o choram, que feliz desgosto!
O vento passa a uivar por essas ruas…
E um oleo algente, excepcional composto,
Tomba do Ar: é a Extrema-Uncção da Morte
Que lhe alvorece as mãos e lhe unge o rosto.
E choraes! Quem vos dera a sua sorte!
Porque é que vós carpis, agoas da fonte?
Não chores mais estrella azul do Norte!
Dobram-se ao vento os cannaviaes do monte,
E, como a juba d'um leao hirsuto,
O cedro curva, em tempestade, a fronte;
Os pallidos jasmins vestem de luto…
Comtudo o Morto fixa, inconsciente,
O vivo olhar sem lagrymas, enxuto.
Formozo, branco, meigo, sorridente,
Com esses olhos que parecem soes,
Vaes repoizar na cova, eternamente.
O teu genio legaste-o aos rouxinoes.
E allumia-te a bocca de criança,
O sorrizo dos virgens, dos heroes!
E o corpo teu na cova, essa esperança
Eterna como os seculos e as flores,
Entre verduras, afinal, descança…