1916
+Teus olhos falam maguas…+
Os teus olhos maguados dizem tanto!
Aos meus olhos, sem qu'rer, teem contado
As maguas, os sorrisos, mais o pranto,
Que teus olhos maguados tem chorado.
Teus olhos maguados vão no berço
Do meu peito, e dormem de mansinho.
Teus olhos,—Padre-Nossos—são d'um terço,
Contas d'Amor, que eu rezo tão baixinho…
Teus olhos maguados são dois beijos.
São promessas, sonhos, são desejos…
E eu trago os olhos teus no coração.
São a luz da minh'alma entristecida;
Teus olhos maguados são a Vida,
E o sol da minha vida tambem são!
1916
+Violetas rôxas+
Inda tenho as florinhas inquietas,
Que beijaram teus seios pequeninos,
Atravez d'essas rendas indiscretas,
Sob entremeios brancos e tão finos!
Flor's que dos teus labios coralinos
Ouviram confidencias tão secretas,
E que teus dedos brancos, peregrinos,
Deitaram fóra… Pobres Violetas!