Tem o brilho das searas
Seu cabello perfumado...

MARIA ergue-se vagarosamente; e, resignada:

Mais uma vez perdão te peço. Eu vou sahir
E não perturbarei, ó Claudia, o teu dormir.
Reconheço por fim que era a esperança fátua.
É inutil chorar em frente d'uma estátua...
—Retiro-me vencida, assim como o pagão,
Que dedicou á Sphinge, ardentemente e em vão,
Os gritos da sua alma e os canticos do amor.
Podes dormir risonha: eu levo a minha dôr!

E com a cabeça descaída sobre o peito, dirige-se para o terraço em passos vagarosos, como se fôra a caminho da morte, com o negro véo pendente ao longo das costas. Sem ter olhado para traz, desce a comprida escadaria.

O somno de Claudia é agora profundo. Tudo ficou silencioso. Estinguem-se uma a uma, com lentidão, as véllas no candalabro; e o luar, a que o arco sem peias dá passagem, faz projectar o busto de Tiberio na parede fronteira, como um enorme phantasma negro...

QUARTA JORNADA

EM 15 DE NISAN

QUARTA JORNADA

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