Insultáste-me ha pouco ainda. Eu tudo esquéço.
Tenho a razão bem clara, e tu és um possésso.
Quanto ao Mestre, lá tens em ti a accusação...
A tua alma está sendo, ó torpe vendilhão,
Passiva e sem vigor n'este fatal momento
Assim como o enforcado a baloiçar ao vento...
—Adeus.
E entra na cidade vagarosamente, sem olhar para traz.
Ha um grande silencio entrecortado apenas pelos gemidos mal suffocados de Judas. Pouco a pouco, vão-lhe voltando as forças, e então
JUDAS erguendo a cabeça e como acordado pela impressão que no seu espirito deixaram as ultimas palavras de Maria:
«O enforcado?...»
E ergue-se com custo. Interrogando a sua consciencia:
Emfim para que existo?
Pensa. Tendo apoiado a mão direita na cintura, o contacto da corda com que cinge a tunica desperta-lhe a attenção e aviva-lhe na memoria aquellas palavras de João que elle repéte machinalmente:
«As estrigas de linho...»
E prevendo o effeito: