Um laço... um nó...

Resoluto:

—É isto!

Então, desatando a corda, dobrando-a em duas, formando um nó corredio, vae monologando, febríl, nervosa, sêccamente:

Para que hei de fugir, ouvindo a cada instante
Correr atraz de mim um grito retumbante
E vingador? Fugir?... Sob o azul dos ceus
Quem pode combater a cólera de Deus?
Inda que fuja sempre, eu sempre retrocedo,
Porque é fugir do Eterno o mesmo que estar quedo!
Não fugirei!—Se fico, atrocidades cruas...Hei de ser arrastado ahi por essas ruas,
Padecerei do povo horríficos flagellos:
Vir alguem arrancar-me os olhos, os cabellos,
E transformar em lama o corpo do homicida!
—Não! Prefiro morrer... por ter amor á vida!

De súbito, n'um grito de independencia, muito egoista:

Eu prefiro morrer! Que se escancáre o espaço
Da treva! Sim, ó Morte, eu quero o teu abraço!
A maldição eterna o Eterno em mim derrame-a!
Que importa! Serei grande até na propria infamia!

Allucinado novamente:

Odeio-te, Virtude! odeio-te, Verdade!
Renego do respeito e amor á Divindade!
Eu creio só na Morte... e basta-me esta corda!

E ri, ri convulso. Batendo com a mão no peito: