Deve ser isso, deve...

E depois de algum silencio, ironico:

Costumado a subir nos estos d'esse amor
Aos mundos do Ideal, o candido fulgor
Transforma-se em desdem, e apenas se descerra
Perante a mesquinhez que roja pela terra!

O olhar bem fito n'ella, animando-se:

Assim como um punhal de rija temp'ra e agudo,
Esse olhar desdenhoso, austero, vago, mudo,
Brilha sinistramente e vem caír direito
N'este pequeno espaço, o espaço do meu peito!

N'um arranco d'alma:

Em verdade te digo, ó mulher altaneira,
Quizesse Deus mandar-te aos olhos a cegueira,
Já que d'alma és tão céga aos prantos de quem te ama,
Que olhas para esse alguem, como se fosse lama!

Crescendo em furia:

Desde hontem que eu desejo estar comtigo a sós
Para que emfim termine este supplicio atroz!
Do meu peito o rugir não sabe em que se esconda,E vae saír de mim, como em torpel a onda,
Tudo o que hei suffocado, e tudo o que hei soffrido!
—Escuta-me, ó mulher, apura o teu sentido,
E deixa de cuidar n'essa paixão agora,
Que é maior a paixão que todo me devora!

Maria vae responder; elle porém, detendo-a com um gesto: