Com a voz muito quente, repassada de amor, sensual, o olhar húmido, como revestindo Maria com um manto de beijos, as mãos gesticulando em curvas graciosas, languidas:

Mas desde que no teu o meu olhar depuz,
Enxerguei o brilhar d'uma divina luz
Na immensa escuridão d'este viver amargo
E senti-me surgir do fundo do lethargo.
Fosse para onde fosse, eu via a tua imagem,
Adorada Maria, envolta na roupagem
Tão alva como o arminho, immaculada e honesta:
No prado sorridente, em meio da floresta,
Sobre os rochedos nús ás vagas sobranceiros,
No horisonte sem fim, no dorso dos oiteiros...
Por toda a parte, em summa!—Adoro-te, Maria!
No caminho da vida o teu olhar me guia...
Vem dar uma esperança ao pobre coração
Que vive para ti, que te pertence...

MARIA com ligeiro movimento de cabeça:

Não.

JUDAS promptamente transformado, n'um arranco furioso:

Oh! que negra palavra, amarga como fel!

MARIA com a voz tranquilla:

Á doutrina do Mestre...

JUDAS interrompendo-a com uma risada feroz:

O Mestre!...