Serão galerias da mesma especie que a de Castilleja as Furnas do Monte da Polvoreira? A pedra balouçante proxima indicará talvez que estes monumentos pertencerão aos menos antigos dos megalithos da Peninsula. O mesmo diremos das alas de pedra (galerias?) com o menhir proximo no caminho de Cepães a Fafe. Todos estes monumentos jazem no districto de Braga, e distarão alguns cinco kilometros uns dos outros[100]. Porém não foram ainda estudados.

Na galeria de Castileja observam-se alguns caracteres notaveis que parece denotarem a fusão da architectura cyclopea com a dolmenica n’uma região da Peninsula, onde viriam a encontrar-se as duas civilisações que ellas representavam. A galeria não é feita unicamente de pedras disformes, umas postas verticalmente, outras horisontalmente sobre as primeiras, como em todos os monumentos congeneres da Europa. Antes de chegar á camara semi-circular passa-se por duas portas, cujos umbraes sobresahem ás paredes interiores da galeria. Nas paredes da camara vêem-se os dois apparelhos dolmenico e cyclopeo, e, o que até hoje não nos consta que tenha sido observado em monumentos d’esta especie, começaram a formar uma abobada sobre os muros, a qual acabaram de fechar com uma grande lage. Aqui sobre tudo se nos patentêa a fusão dos dois estylos, n’esta abobada cyclopea fechada á maneira dos dolmens.

Os vestigios da architectura cyclopea até hoje notados em Hespanha vem a ser a parte inferior das antigas muralhas de Tarragona, o Castillo de Ibros no districto judicial de Baeza, os Corralejos na Andaluzia. Os talayots e mapalias ou magalias das ilhas Baleares acabam de mostrar o desenvolvimento da architectura cyclopea nas regiões orientaes da Hespanha, isto é, onde não apparecem dolmens. Finalmente na Andaluzia, onde as duas architecturas chegam a encontrar-se, misturam-se, como em tempos posteriores, por algumas partes das mesmas regiões se fundem, apesar de antinomicos, os estylos arabe e christão, formando o denominado estylo mudejar.

O tumulo de Eguilaz na provincia vascongada de Alava tem muito menores dimensões que o de Antequera ([fig. 60, 61 e 62]). Contam-se dentro treze pés em comprido e dez em largura. A pedra que cobre o tumulo é uma só peça com dezenove pés de comprido e quinze de largo. A entrada para o tumulo da parte do oriente principia a vinte pés, pouco mais ou menos, por um caminho coberto, de quatro pés de largura e quatro de altura.

Quando se descobriu este recinto estava cheio de ossadas por entre as quaes se encontraram algumas armas, taes como lanças, umas de pedra outras de cobre. Havia tambem corações pequenos com orificios na parte mais larga, todos de pedra durissima, e alguns dentados á roda á maneira de serra. Os esqueletos jaziam deitados com a cabeça para o oriente e os pés ao poente. Tal era tambem a orientação do tumulo[101].

O tumulo de Eguilaz foi descoberto em 1832. Na mesma provincia appareceu outro sobre o rio Zadorra, a uma legua de Victoria, quando reconstruiam o moinho de Escalmendi. Dizem haver outros similhantes monumentos em pequena distancia de Salvatierra, em Arizala e Ocáriz. Ha tambem na provincia de Alava, debaixo da ermida de S. Miguel de Arrechinaga, tres pedras grandes encostadas umas ás outras, formando uma como pyramide. D. José Amador de los Rios e outros consideram estas tres pedras como um megalitho, talvez a parte de um dolmen, outros porém julgam que taes pedras appareceram assim naturalmente, e seriam aproveitadas para servir de base á ermida[102].

Ha uns monumentos que, posto que em rigor não mereçam o nome de megalithos, estão comtudo tão naturalmente com elles relacionados, que ficaria incompleto este capitulo, se não dissessemos a seu respeito algumas palavras. São os castros que na Galiza tambem chamam croas, contracção de corôas, pela sua fórma circular. O sr. D. José Villa-Amil y Castro descreveu sessenta e tres castros d’aquellas provincias. Em Portugal, particularmente nas provincias septemtrionaes, tambem se encontram alguns, mas até hoje não têem sido estudados.

Fig. 60

Fig. 61