Fig. 62

TUMULO DE EGUILAZ NA CHAPADA DE ALAVA[103].]

Aquelle escriptor define os castros nos termos seguintes: «O elemento caracteristico de um castro é a fortificação de um terreno, de fórma elliptica, e na extensão, termo medio, de uma fanga ou vinte e cinco areas. Essa fortificação consiste n’um fosso e n’um parapeito, ou em varias d’estas obras defensivas, aproveitando-se em certos casos as condições vantajosas do terreno (procuradas talvez de proposito), taes como a elevação e o escarpamento das vertentes; a maior separação possivel dos montes convisinhos, sem ter com elles outra ligação mais que um pequeno isthmo ou lingueta; e a proximidade de riachos para o abastecerem de agua e para difficultarem o accesso ao logar fortificado».

O auctor suppõe que os castros não eram unicamente fortificações, mas tambem povoações, o que prova pelos vestigios de casas n’alguns encontrados, e por varias referencias de documentos antigos. Finalmente das armas e instrumentos de pedra, de bronze e de ferro, dos fragmentos de lança deduziu que os castros da Galiza teriam a sua origem em tempos prehistoricos, mas que continuariam a servir de habitações e de fortificações durante a dominação romana, pelo espaço de mais ou menos seculos na idade media, e alguns em fim ainda no alvorecer da idade moderna. Prova tambem com documentos a conservação e habitação dos castros em tempos tão pouco remotos[104].

Viterbo não reporta além dos romanos a origem dos castros. Na opinião do auctor do Elucidario, castrum sería um pequeno arraial para uma legião ou brigada. Alguns, accrescenta, se povoaram, e ficaram conservando a povoação, para ser defensavel, e servir mesmo de atalaya, cidadella e guarda ás campinas e logares chãos e abertos ás correrias dos inimigos.

J. da C. Neves e Carvalho observou pessoalmente os castros de Traz-os-Montes e definiu-os dizendo serem elevações circulares formadas de terra, e pela maior parte circumdadas de grossas lages, se o terreno as fornece, e n’outros de um pequeno vallado ou parapeito de terra, em toda a circumferencia. Estimou-os eguaes em tudo aos da Galiza, e adoptou a opinião expendida pelo auctor de uma historia d’esta provincia, que entendeu teriam servido de templos aos celtas[105]. Esta hypothese vogou por algum tempo em Hespanha. Mas as observações citadas de Villa-Amil y Castro deram em terra com este e outros velhos preconceitos.

Será talvez um monumento do mesmo genero a denominada Cava de Viriato em Vizeu, com quanto não conserve já hoje a fórma caracteristica dos castros. Em 1461 tinha portas que se abriam e fechavam e dentro havia uma capella com a dedicação de S. Jorge. Em 1728 foi medida por ordem regia a Cava de Viriato e achou-se que os muros ou aterros tinham tres Lanças de altura e quarenta palmos de largura no cimo. O circuito dos muros era de tres mil e sessenta e cinco passos, e conservavam ainda quatro grandes vãos, d’onde tinham tirado a cantaria. Já ha muito que a parte oriental do circuito está arrazada, e aforado o terreno respectivo[106]. A parte restante, depois d’esta destruição e das cerceaduras dos possuidores das glebas contiguas, é ainda muito extensa, e está hoje coberta de arvores que asseguram a sua conservação. Na face que olha á cidade vê-se, em parte d’ella, um muro de pedra ensossa, que parece ter sido feito para sustentar d’esse lado o aterro.

NOTAS DE RODAPÉ:

[72] Collecção dos documentos e memorias da Academia Real de Historia Portugueza, tomo XIV, conferencia de 30 de julho de 1733.

[73] Megalitho, do prefixo mega, grande, e de lithos, pedra. Esta palavra tem o inconveniente de ser tambem applicavel aos monumentos cyclopeos ou a quaesquer outros, feitos de pedras grandes.