XI

Se aquillo que a gente sente,
Cá dentro, tivesse vóz,
Muita gente… toda a gente
Teria pena de nós!

CARTA A UM RAPAZ SENTIMENTAL

«Um mover d'olhos brando e piedoso
Sem vêr de quê; um riso brando e honesto
Quasi forçado; um doce e humilde gesto
De qualquer alegria duvidoso

* * * * *

Um encolhido ousar; uma brandura,
Um medo sem ter culpa; um ar sereno,
Um longo e obediente soffrimento.

* * * * *

Camões

Num quente e perturbante fim de tarde,
Cujo magnetico e profundo enlevo
Ainda agora em mim crepita e arde,
Como se fosse a tarde em que te escrevo,

Ergui os olhos distrahidamente,
A ver se já brilhava alguma estrella
No concavo do céu opalescente
—E vi, numa varanda, os olhos della…