Dorothêa
Talvez, irmã Electra, que o vêr essa pessoa te demonstre se effectivamente podes...
Electra
(vivamente) Oh! não m’o digas, que não posso!... No estado em que me sinto, n’este principio de lucta, se o visse, se o ouvisse, eu perderia toda a esperança de paz... Não vês que em minha consciencia eu me estou debatendo contra dois impossiveis: não poder amal-o como esposo; não poder amal-o como irmão? (Aterrada) Que supplicio, meu Jesus!... Para o mundo não, não... Prefiro estar aqui, n’esta solidão de morte, n’este laboratorio da minha alma, junto do cadinho divino, em que estou fundindo um viver novo.
Dorothêa
Não esperes que as tuas ideias te deem a paz. Confia em Deus e n’aquelles que Deus te envia... (Resolvendo-se a falar mais claramente) Não te amedrontes assim perante o que suppões teu irmão. Alguem talvez negará que o seja.
Electra
(em grande excitação) Cala-te! Cala-te! Em assumpto de tão grande melindre toda a palavra que não contenha a certeza é inutil e cruel... Póde levar-me á loucura. O que eu peço a Deus é a morte, ou a verdade inteiramente indubitavel e definitiva.
Dorothêa