—Não, dou a ti...

Os companheiros, offendidos com esta exclusão, disseram orgulhosamente:

—Olhem, o diabo do asno! Tem medo que lhe comam a porcaria do ninho!...

O Zé do sachristão principiou a subir. Primeiro abraçou-se ao carvalho, depois encolheu as pernas, em seguida fincou o lado interno dos joelhos para se segurar, e por fim, o lado interno dos pés para se impellir... Quando se ia chegando ao cimo do carvalho, elevando-se assim, prudentemente, agarrou-se a um forte galho, segurando-se com presistencia. E disse para os que, debaixo, o seguiam attentamente com os olhos:

—Cá estão, os cinco melrinhos. Já tem penna.

—Dá-os para cá—disse o Tone de cima de penedo, relanceando um olhar despresador para os outros rapazes, que se conservaram afastados, n’uma reserva sensata e orgulhosa...

—Chega-te mais para cá—observou-lhe o Zé.

—Não posso mais—respondeu desconsolado, inclinando-se do penedo para o carvalho.

—Então levo-os eu para baixo. Se caem no chão morrem e depois tu não me dás o carro.

E principiou a descer, tendo previamente mettido no seio, os cinco melros pequenos. Como precaução, para os não esmagar, descia afastando o corpo do velho tronco do carvalho, agarrando-se tenazmente com as mãos e fincando os pés na casca nodosa. Quando chegou a baixo, disse mostrando os cinco passaros, que ia tirando um a um, de dentro da camisa: