—Elle não sabe. Gazeia hoje Zé...
E o do sachristão, para obter o carro, resolveu-se a gazear. Com elles ambos foram outros rapazes que tambem andavam na escola e outros que não andavam. Desejavam ver o ninho, que estava n’um carvalho, perto de uma poça, segundo affirmava o Zé.
Encaminharam-se por entre uns silvados. Como era no tempo das amoras, pararam muitas vezes para as colherem. Houve algumas bulhas, porque todos desejavam apanhar as que estavam mais maduras. Antes de chegarem ao sitio do ninho, passaram por umas cerejas que tiveram tentações de comer... Porém, como eram do padre Beiral, reconsideraram, com a lembrança de que o mestre, que era sobrinho do ecclesiastico, sabendo-o, os zurziria com a chibata de marmeleiro, que tinha encostada á parede, na aula. Quando chegaram ao pé do carvalho annunciado, disse o do sachristão:
—Olha, Tone, o ninho é ali.
—Deixas-me subir p’r’o tirar?
—Não senhor, que tu és muito pequeno—respondeu com orgulho, alongando os beiços. Podes cair e depois a tua mãe vem com aquellas...
—Deixa-me ir Zé, que eu não caio—insistiu o Tone, com voz de pedinte.
O do sachristão, para conciliar todos os desejos propoz:
—É melhor tu ires para cima dos penedos. Eu subo e dou-te o ninho para a mão. Queres?
—Pois então vá lá—rematou o da Engracia, concordando. Mas não dás a estes, não?