E, com a inflexão do homem que conhece muito o mundo, acrescentou com uma reserva premeditada:

—Olha que as más companhias por esse universo fóra são muitas. Digo-t’o eu, Manuel, que são muitas.

Depois, com os seus bons oculos de aço, que primeiro limpou ao forro da batina, tomou a carta aberta, pol-a á distancia do comprimento do braço, e, com signal approvativo de cabeça, disse com voz cantada:

—Apre! Bonita letra! Meu sobrinho sempre disse que para cousas de escripta era um dos que tinha mais geito. Do que elle não gostava, era que o teu filho andasse por esses montes aos ninhos. Lá com isso damnava-se. Todos os caçadores são assim... Que lhes matem a criação nos ninhos, não gostam nada!...

E ria de um modo secco e breve.

—Saiu-me um rapaz que não mereço ao Altissimo. Leia essa carta, senhor!—considerou o pae do brazileiro, com uma pronuncia sensibilisada e lacrimosa.

O clerigo continuou:

—Está bom, o rapaz sabe da cortezia. «Meu presadissimo pae.» Meu sobrinho puxou-te bem por elle.

—Estou-lhe obrigadissimo. Isso ainda que ponha a cara onde elle põe os pés...