—Seus grandissimos ladrões, que os mato!
Taes palavras e aquelle tiro disparado com um fim theatral, produziu o effeito previsto. Os companheiros do Tone, julgando-o talvez morto, abandonaram-no. O Miguel Timão, que saíra da casa com grande rompante para espantar os que estivessem, chegou-se ao que jazia no chão, e disse-lhe com ar de troça:
—Então sempre caíste melrinho?! Deixa que eu t’o digo já. Ha-de-te ficar de escramenta.
O da Engracia, completamente submettido, pediu:
—Ó tio Miguel, não me faça mal, que eu não torno...
O marinheiro não lhe fez mal. Tambem lh’o estava pedindo sua irmã, que era muito obrigada ás esmolinhas, que a tia Engracia lhe fizera em tempos precisados. Porém, apesar dos esforços de raiva e das supplicas, o velho maritimo não prescindiu de enlear bem enleado o seu preso e de o ir collocar no caminho, com o fim de ser solto pelos primeiros misericordiosos que passassem para os campos! E ao deixal-o fóra do muro, disse-lhe:
—Prá outra vez, se cá voltas, ha de ser peor. Entendes?
Depois retirou-se, não cedendo mesmo á intervenção a favor do adoptivo da Engracia, feita por sua irmã Catharina, que lhe pediu para o desamarrar, e a quem respondeu:
—Sabes que mais?! Bae bugiar. É uma ensinadella.