—Olhem que não tocará melhor que o nosso José Domingues—affirmou enthusiasta e patrioticamente o professor.
—Ora, senhor José Fortunato, nem diga isso. Eu, um pobre estupido, posso lá!...—respondeu com modo agradecido.
—Deixa-te de tolices, homem. Olha que eu com os sessenta e cinco que já conto, nunca ouvi como Frei Gonsalo. E já fui uma vez a Lisboa, com o fidalgo de Refuinho, quando elle era vivo.
—Lá isso, maior que meu tio, não acredito que haja. Devo-lhe a alma que tenho—confessou commovido.
José Fortunato ainda acrescentou:
—Olha que lá as meninas (as de Refuinho) estiveram no Porto com o tio general. Presencearam por lá grandes coisas e disseram-me que antes queriam ouvir o José Domingues.
—Isso são umas santinhas. Eu sou um pobre cego, não sei nada, senhor José Fortunato.
—Não sabes nada? Sabes tudo, tens d’isto—rematou o mestre-eschola, batendo uma punhada sobre o coração.
O mais velho dos sobrinhos do cego, comprehendendo tudo pelo instincto, atirou a carapuça ao telhado, gritando: