Depois de trabalho insano só pôde conseguir, um S. João e um Senhor prezo á columna. Porém não ficou contente; porque as estatuas, antigas e feias, não eram de causar grande devoção.

—Paciencia—disse resignado. Levam-se os seis andores. Tenho lá Cruz ás costas e Senhora do encontro. Levo d’aqui Preso á columna e S. João. Canna verde e Pretorio arranjo de Valença. Quem tem amigos...

Procurou, depois, saber onde morava actualmente o padre Silvestre, capellão de infanteria 8 e seu antigo condiscipulo. Era um dos pregadores mais afamados do alto Minho e o abbade, pela terceira vez, o escolhia para lhe abrilhantar uma festa da sua egreja.

Tendo conhecimento de que mudára para a Conega, cahiu-lhe em casa d’um pulo. Havia annos que se não encontravam. Por isso houve effusão d’alegria, muitos abraços e expansões n’este momento.

O pregador, escarranchado n’uma cadeira, disse para o seu amigo que se lhe sentára na cama:

—Tu, magnifico, gordo, sempre abbade! Que diabo te trouxe n’este tempo de trabalhos quaresmaes cá por Braga?

—O diabo não, creatura, foi Deus! Deus, o Senhor dos Passos é que me trouxe hoje por cá. Mas deixa-me perguntar-te, antes que me esqueça. Estás de mal c’o as...

—Estou sim—atalhou—não as podia aturar. Eram umas porcas. Nem roupa, nem comida... uma immundicie. Depois tinha por companheiro o Antunes da Cuspinheira, lembras-te? Um cevado com quem se não pode estar á mesa. Deixei-as...

O abbade conformou-se, accrescentando: